24 de Agosto, 2023 gcoelho

Quinta da Parvoíce em Setúbal a ser demolida para ter casas acessíveis

No local do último bairro de barracas da cidade sadina vai nascer habitação pública, com casas de renda apoiada e renda acessível.
casas em setúbal
Wikimedia commons

A demolição da Quinta da Parvoíce, último bairro de barracas na cidade de Setúbal, deverá estar terminada em meados de setembro, estando previsto para o local um bairro de habitação pública, revelou a autarquia. Este processo de construção e requalificação de fogos representa um investimento total de 192 milhões de euros até 2030, no âmbito do programa 1º Direito, com financiamento do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência.

Para a Quinta da Parvoíce está prevista a construção de um bairro de habitação pública formado por habitações de renda apoiada, a construir pela Câmara Municipal (48 fogos), e de renda acessível, cuja edificação é da responsabilidade do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), no âmbito do 1.º Direito/PRR, o qual tem como prazo de conclusão 31 de dezembro de 2025.

A intervenção enquadra-se no plano para a construção de um total de 530 habitações de renda apoiada e de renda acessível no concelho, desenvolvida no âmbito da Estratégia Local de Habitação de Setúbal, que abrange ainda a requalificação de 3.722 habitações ou alojamentos considerados indignos.

Setúbal vai ficar sem barracas no próximo mês, promete autarca

“Finalmente, Setúbal está num processo de se ver livre desta chaga social de tantos anos que era a Quinta da Parvoíce. Estas máquinas estão a terminar esse pesadelo desta cidade, que ao longo de tantos anos se viu confrontada com esta imagem negativa de Setúbal que era a Quinta da Parvoíce. As barracas em Setúbal finalmente estão a acabar”, refere o presidente da Câmara de Setúbal, citado em comunicado do município.

O autarca, que acompanhado da vice-presidente, Carla Guerreiro, visitou na terça-feira a demolição em curso, iniciada em 16 de agosto, referiu que esta “está em fase avançada” e tem conclusão prevista até meados de setembro, encontrando-se em desenvolvimento os estudos e projetos “para as novas construções” de habitação pública de renda apoiada e renda acessível a edificar naquela área, onde existiam 75 casas abarracadas.

Em julho, a Câmara de Setúbal realojou os últimos 12 moradores da Quinta da Parvoíce na pensão Residencial Setubalense.

O vereador da Habitação disse à agência Lusa no início de julho que o processo de realojamento das 72 famílias que viviam na Quinta da Parvoíce “demorou um pouco mais de tempo” do que o município estava à espera, devido “à ausência de habitações no mercado de arrendamento em Setúbal”.

“Foi um processo bastante longo e difícil para obter as casas com as tipologias adequadas”, acrescentou Carlos Rabaçal, lembrando que as 72 famílias já estão nas novas habitações temporárias, enquanto os restantes 12 moradores realojados em 11 de julho – todos homens que viviam sozinhos – foram realojados na pensão.

As pessoas que viviam na Quinta da Parvoíce e que já foram realojadas temporariamente no âmbito do Programa Porta de Entrada em casas com rendas a preços de mercado, pagas pelo município sadino, adiantou o vereador, deverão ocupar parte das novas habitações de renda apoiada que vão ser construídas na Quinta da Parvoíce e na Bela Vista.

Como está a ser feita a demolição das barracas da Quinta da Parvoice

empreitada de demolição, promovida pela autarquia, está a decorrer em duas fases, numa obra orçada em perto de 150 mil euros, cabendo ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) assumir parte da despesa.

  • Na primeira fase, são removidos 4.328 metros quadrados de chapas em fibrocimento, que contêm amianto, o que obriga os operários a usarem equipamento de proteção apropriado e, ao fim do dia, a passarem por uma câmara de descontaminação instalada no local.
  • Na segunda fase é feita a demolição das construções existentes no local, com o correspondente carregamento de 3.500 toneladas de entulho para vazadouro.

As demolições, explica a autarquia, começaram pelas habitações que não tinham chapas de fibrocimento e prosseguem nestas à medida que este material perigoso é retirado.

Fonte: Idealista/news