21 de outubro, 2022 ines.gaiola@c21tipyfamily.com

Prestação da casa sobe 14,8% para 272 euros – a mais alta desde 2012

Juros no crédito habitação aumentaram para 1,144% em setembro, o valor mais elevado desde 2016, diz o INE.

Os empréstimos habitação já estão a refletir – e muito – os efeitos da subida das taxas de juro diretoras pelo Banco Central Europeu (BCE) e o consequente aumento das taxas Euribor. Isto porque, no conjunto de contratos de crédito habitação em Portugal, a taxa de juro atingiu os 1,144% em setembro, o valor mais elevado desde março de 2016. E esta evolução espelha-se nas prestações da casa, que estão a ficar cada vez mais caras. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que a prestação média fixou-se em 272 euros em setembro, um valor 14,8% superior à registado em no mesmo mês de 2021. Esta é a prestação da casa mais elevada desde maio de 2012.

A subida a galope das taxas Euribor está a sentir-se na maioria dos créditos habitação em Portugal, já que cerca de 93% dos contratos existentes são de taxa variável, segundo dizem os dados do Banco de Portugal. Isto quer dizer que a prestação da casa vai subir assim que for atualizada (trimestral, semestral ou anualmente), uma vez que a Euribor está a atingir máximos das últimas décadas para todos os prazos:

  • Euribor a 12 meses (a mais utilizada no conjunto dos novos contratos de crédito habitação): média atingiu os 2,233% em setembro, quase o dobro da alcançada em agosto (1,249%);
  • Euribor a 6 meses (mais utilizada em Portugal no total de créditos habitação): chegou aos 1,596% em setembro, também quase o dobro da registada no mês anterior (0,837%);
  • Euribor a 3 meses (a menos utilizada nos novos contratos, mas que ainda representa 30% da totalidade de contratos assinados até dezembro de 2021): fixou-se em 1,011% em setembro, quase o triplo da registada em agosto (0,395%).

Em resultado, os juros nos empréstimos da casa estão a aumentar. “A taxa de juro implícita no crédito à habitação subiu para 1,144%, valor superior em 13,3 pontos base (p.b.) face ao registado no mês anterior (1,011%)”, aponta o INE no boletim publicado esta quinta-feira, dia 20 de outubro. É preciso recuar a março de 2016 para encontrar um valor dos juros tão elevado (fixou-se em 1,163% nesse mês).

“Para o destino de financiamento aquisição de habitação, o mais relevante no conjunto do crédito à habitação, a taxa de juro implícita para o total dos contratos subiu para 1,160% (+13,3 p.b. face a agosto)”, revelam ainda. Esta é também a taxa de juro mais elevada desde março de 2016, quando se situou nos 1,173%.

Prestações da casa mais caras: portugueses pagam 21% de juros

subida dos juros reflete-se, de resto, na prestação da casa a pagar ao banco, que também seu o salto em setembro. “Considerando a totalidade dos contratos, a prestação média subiu 4 euros, para 272 euros, representando um aumento de 14,8% em termos nominais face ao valor observado em setembro de 2021”, dianta o gabinete de estatística português. Esta é a prestação mais elevada observada desde maio de 2012, que se fixou em igual valor.

Em setembro, as famílias passaram a pagar 58 euros de juros – que corresponde a 21% da prestação – e 214 euros de capital amortizado (79%). De notar que os portugueses não pagavam tanto de juros na prestação de casa desde março de 2015, mostram os dados do INE. Isto porque, com a subida das taxas Euribor, o peso dos juros nas prestações aumentou face ao capital a amortizar. De notar ainda que o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos também nunca esteve tão elevado: subiu 339 euros face ao mês anterior, fixando-se em 61.089 euros.

Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, o valor médio da prestação da casa subiu 26 euros, para 471 euros. E este valor é mesmo o mais elevado desde que há dados disponíveis pelo INE (janeiro de 2009). Há dois motivos que podem explicar este recorde:

  • Por um lado, o capital em dívida nos últimos três meses também é o maior de sempre (de 130.872 euros, em média, em setembro)
  • Por outro, as taxas de juro para estes contratos deram o salto de 1,523% em agosto para 1,775% em setembro, o maior valor registado desde dezembro de 2016, quando atingiu os 1,879%.

Fonte: Idealista