5 de setembro, 2022 ines.gaiola@c21tipyfamily.com

Euribor em máximos de 2012: prestação da casa mais alta em setembro

Taxas Euribor voltaram a subir e as famílias vão pagar mais ao banco pelo crédito habitação no pós-férias. Simulámos quanto.

A era dos juros negativos acabou e a prestação da casa está a subir, mês após mês, para as famílias. As taxas Euribor deram um novo salto em agosto, tocando máximos de 2012 nos últimos dias do mês, o que significa más notícias para quem tem crédito habitação de taxa variável ou está prestes a pedir um empréstimo para comprar casa. A média da Euribor a 12 meses avançou para 1,249% em agosto, após valores médios de 0,992% em julho e 0,852% em junho. Já a Euribor a 6 meses chegou aos 0,837%. Isto faz com que os clientes com contratos indexados à Euribor, paguem mais pela prestação da casa depois dos gastos com as férias, que além do mais para muitas famílias coincide com o regresso às aulas – outro peso no orçamento doméstico, este ano agravado pela inflação e pela subida geral dos preços. Mas quanto vai ficar mais cara a mensalidade da casa paga ao banco? Explicamos tudo com base em simulações.

As Euribor, recorde-se, começaram a subir mais significativamente em fevereiro deste ano, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras em 2022. Na reunião de política monetária realizada a 21 de julho, e já no então contexto de guerra na Ucrânia, o organismo liderado por Christine Lagarde confirmou as intenções, aumentando em 50 pontos base as três taxas de juro diretoras, a primeira subida em 11 anos, com o objetivo de travar a inflação.

A próxima reunião do “guardião do euro” acontece já na próxima quinta-feira, 8 de setembro de 2022, e será realizada num ambiente de maior pressão: a inflação na zona euro renovou os máximos históricos que já tinha fixado em julho e atingiu 9,1% em agosto. Antecipa-se que o BCE irá voltar a carregar no botão dos juros este mês – uma subida que deverá ser igual ou mesmo superior à de julho.

A evolução das taxas de juro Euribor está intimamente ligada às subidas ou descidas das taxas de juro diretoras BCE, daí que sejam esperados mais aumentos para os próximos meses.

A prestação da casa, por sua vez, não sobe ao mesmo tempo para todos. É atualizada tendo em conta o tipo de Euribor contratada: a 3, a 6, ou 12 meses. Por sua vez, quem tem um crédito habitação com taxa fixa sabe que tem uma prestação constante e inalterada, negociada no momento em que se contratou o empréstimo para comprar casa. Por outro lado, existem as taxas mistas – que permitem fixar os juros por um determinado período de tempo – e que neste período de instabilidade económico-financeira têm vindo a atrair cada vez mais as famílias. Neste artigo, analisamos esta solução, como evoluiu ao longo dos anos, e se é, realmente, uma boa opção neste momento.

Quanto vou pagar de prestação em setembro?

Uma coisa é certa, a prestação da casa paga pelos clientes bancários no crédito habitação com taxa variável irá voltar a subir em setembro – para novos contratos, mas também para aqueles cujas condições serão revistas este mês. Assim, e para perceber qual o reflexo das subidas das Euribor no preço do empréstimo a pagar a banco, os especialistas do idealista/créditohabitação apresentam simulações com base nestas condições:

  • Novo empréstimo habitação de 150.000 euros;
  • Spread de 1% a pagar no prazo de 30 anos.

Tendo em conta estes exemplos e sabendo que um empréstimo habitação contratado num mês usa a média da Euribor apurada no mês anterior (ou seja, um crédito contratado em setembro usa a média da Euribor de agosto), podemos concluir o seguinte:

  • Euribor a 12 meses: a média desta taxa – a mais utilizada nos novos empréstimos da casa em Portugal – atingiu os 1,249% em agosto, mais 0,257 pontos percentuais (p.p) do que a registada no mês anterior (0,992% em julho). Isto quer dizer que quem contratar um empréstimo da casa em setembro vai pagar mais 20 euros no primeiro ano do que quem assinou o crédito habitação em agosto;
  • Euribor a 6 meses: a taxa mais utilizada em Portugal nos créditos habitação voltou a subir em agosto para 0,837% (ou seja, mais 0,371 p.p do que em julho). Um crédito habitação assinado em setembro (que usa a média da Euribor de agosto) ficará 27 euros mais caro nos primeiros seis meses do que um contrato assinado em agosto.

E se olharmos para os meses anteriores, as diferenças são ainda mais expressivas.:

  • Quem contratou um crédito habitação em março com a Euribor a 12 meses de -0,335% (média de fevereiro) paga de prestação no primeiro ano 460 euros, enquanto quem pedir um empréstimo com as mesmas condições em setembro (média de 1,249% em agosto) pagará mais 113 euros euros de prestação mensal.
  • No caso da Euribor a 6 meses, quem pediu um crédito para comprar casa em março paga 450 euros de prestação até agosto (6 meses). Agora, e com a revisão do contrato, ou para quem peça empréstimo, serão mais 92 euros.

Mercado antecipa mais subidas para próximos meses

As taxas de juro estão a subir, assim como as preocupações que, dentro e fora de Portugal, já são uma realidade. Recentemente, por exemplo, o Banco da Espanha alertou que o aumento das taxas de juros causará problemas económicos a mais de um milhão de famílias, que serão obrigadas a destinar mais de 40% do seu rendimento ao pagamento de hipotecas e outros empréstimos. E não foi a única instituição a deixar este tipo de alerta no país vizinho. A Associação Hipotecária Espanhola (AHE) acredita também que a subida das taxas poderá prejudicar a capacidade de pagamento do crédito habitação de milhares de famílias.

O mercado acredita que Euribor a 12 meses continuará a subir fortemente nos próximos meses, dada a subida das taxas de juro. De acordo com os últimos dados do Painel Funcas (painel de previsões espanhol), no final do próximo ano a Euribor poderá movimentar-se em torno dos 1,8%. Já o departamento de análise do Bankinter acredita que o indicador deverá situar-se em cerca de 1,9% no final do ano – o que significaria regressar a níveis de 2011 – , e que ficará em torno de 2,2% em 2023. No entanto, considera que em 2024 poderá haver uma ligeira queda (e voltar a cerca de 2%).

Por sua vez, o responsável do idealista/créditohabitação em Portugal acredita que a Euribor se situe perto dos 2% até ao final do ano ou meados de 2023. “Claramente, haverá um aumento das prestações da casa (…). A dúvida é até onde subirá a Euribor e a celeridade com que chega a estes valores”, aponta Miguel Cabrita, que trabalha no mundo da banca há cerca de 15 anos.

Fonte: Idealista (consultar artigo completo)