7 de agosto, 2022 ines.gaiola@c21tipyfamily.com

Bancos centrais apostam tudo na subida de juros para travar inflação

Bancos centrais dos EUA, Reino Unido e da UE sobem os juros em flecha para combater a inflação. Quanto estão a subir as taxas?

inflação está a disparar em vários países do mundo – na Zona Euro, subiu de 8,6% em junho para 8,9% em julho. E os bancos centrais estão empenhados em pôr um travão à subida da inflação de forma a estabilizar os mercados financeiros. E têm colocado em ação a sua principal arma contra a inflação: estão a subir as taxas de juros diretoras. O Banco Central Europeu (BCE) subiu os juros em 50 pontos base a 21 de julho pela primeira vez em 11 anos. A Reserva Federal dos EUA (Fed) voltou a aumentar os juros de referência em 75 pontos base na semana passada. E, agora, o Banco de Inglaterra também voltou a subir as taxas de juro no Reino Unido, atingindo os 1,75%.

Em nome da estabilidade de preços, os bancos centrais do mundo estão a arregaçar as mangas e a agir para por um travão à inflação que se faz sentir. O seu objetivo passa por assegurar que a inflação permanece baixa, estável e previsível, situando-se idealmente nos 2% a médio prazo.

Mas como é que isso se faz? Um dos principais mecanismos de política monetária utilizados pelos reguladores passa mesmo por subir as taxas de juro diretoras – uma medida que já está a ser implementada em vários países, embora a diferentes velocidades.

Juros no Reino Unido atingem 1,75%

O mais recente aumentou dos juros foi decidido no Reino Unido. O Banco de Inglaterra aumentou esta quinta-feira, dia 4 de agosto, as taxas de juro em 50 pontos base no Reino Unido, passando de 1,25% para 1,75%, o nível mais alto desde dezembro de 2008.

Aqui a inflação homóloga está nos 9,4% e prevê-se o Índice de Preços do consumidor (IPC) no país acelere até 13% no final de 2022. E para 2023 acredita-se que a inflação se mantenha elevada no país.

Este aumento da inflação já era esperado pelos analistas, refletindo o aumento dos preços provocado pela recuperação económica pós-pandemia, pela guerra na Ucrânia e pela subida dos custos de energia.

As políticas monetárias adotadas pelo banco governado por Andrew Bailey não afetam só o aumento dos juros dos créditos habitação. No Reino Unido, os critérios de aprovação de empréstimos a particulares e empresas endureceram. E embora já tenha afetado os pedidos de crédito por parte das pequenas e médias empresas, os pedidos de crédito habitação por parte das famílias continuam a crescer no país, refere o El Diario.

  • Recessão no Reino Unido à espreita no final do ano

No final da reunião desta quarta-feira, o Comité de Política Monetária do banco emissor britânico alertou para uma possível recessão no Reino Unido a partir do quarto trimestre de 2022. “O crescimento do PIB no Reino Unido está a desacelerar. A última subida do preço do gás voltou a deteriorar significativamente as perspetivas de atividade no país, bem como no resto da Europa”, dizem desde a instituição que dirige a política monetária no Reino Unido, citado pelo mesmo meio.

Tudo indica que o “Reino Unido entre em recessão a partir do quarto trimestre deste ano”, referem. Esta é uma situação que os EUA já enfrentam e que ameaça a União Europeia (UE).

Juros na UE subiram 50 pontos base em julho

O BCE foi o último a tomar medidas para combater a inflação na Zona Euro que atingiu os 8,9% em julho, de acordo com as estimativas provisórias do Eurostat. Na última reunião de política monetária, a presidente do regulador europeu Christine Lagarde confirmou a subida das três taxas de juro diretoras em 50 pontos base. Esta foi a primeira subida dos juros pelo BCE em 11 anos.

E, assim, as três taxas de juros diretoras fixaram-se em:

  • a taxa de juro das principais operações de refinanciamento passou de 0% para 0,50%;
  • a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez ficou agora em 0,75%
  • a taxa de depósito que estava em terreno negativo (-0,50%) sobe para 0%.

E o BCE prometeu não ficar por aqui para fazer descer a inflação no espaço europeu, admitindo que continuar a subir as taxas de juro nas próximas reuniões. “Continuaremos nesse caminho de normalização e iremos tão longe quanto for necessário para garantir que a inflação estabilize na nossa meta de 2% no médio prazo”, disse dias depois Christine Lagarde.

Também na Europa – e em particular em Portugal – só o anunciar da subida das taxas de juro influenciaram os créditos habitação, já as taxas Euribor começaram a subir para todos os prazos desde fevereiro antecipando o aumento dos juros pelo BCE só confirmado em julho. Em resultado, as prestações da casa estão mais altas.

Fed continua a subir juros nos EUA e já estão superiores a 2%

Também do outro lado do Atlântico muito se tem feito para travar a inflação, até porque nos EUA atingiu os 9,1% em junho, acelerando para um máximo desde novembro de 1981, revelou o Departamento do Trabalho norte-americano.

A Fed foi um dos primeiros bancos a colocar as armas em cima da mesa para combater a inflação. A subida das taxas de juro no país iniciou-se em março e de lá para cá já foram realizadas quatro subidas consecutivas, refere o Observador. A primeira que teve maior expressão foi registada em junho com uma subida de 75 pontos base, um aumento que voltou a repetir-se no final de julho. Isto quer dizer que só em dois meses, o banco central liderado por Jerome Powell subiu as taxas de juros em 1,5 pontos percentuais.

Agora, as taxas de juro nos EUA situam-se num intervalo entre os 2,25% e 2,5%, o nível mais elevado desde dezembro de 2018. Ao adotar estas medidas, a Fed vai verificar nos próximos meses “evidências de que a inflação desce” e se começa a aproximar-se do objetivo no médio prazo de 2%.

Por outro lado, a possibilidade de a economia norte-americana estar recessão é ainda rejeitada. “Não creio que seja provável que a economia dos EUA esteja em recessão neste momento”, afirmou Jerome Powell, citado pela agência noticiosa Efe.
*Com Lusa

Fonte: Idealista