12 de janeiro, 2022 Lucas Lopes

Perspectiva-se uma estabilização global dos preços dos imóveis em 2022

Ricardo Sousa, CEO Century 21 Portugal, admite que é expectável que 2022 venha a ser um ano bastante similar a 2021, e não espera que esta nova variante tenha impacto directo no mercado imobiliário residencial.

O responsável admite que o mercado residencial está a registar níveis de procura bastante elevados e que esta dinâmica justifica-se pelas baixas taxas juros, pelo excesso de liquidez no mercado, pelo crescimento das novas operações de crédito habitação e pelo facto de 45% dos portugueses desejarem trocar de casa em consequência da pandemia Covid 19.

Como o mercado imobiliário enfrentou 2021 e a pandemia que afectou o mundo e o imobiliário português?

O mercado residencial demonstrou uma forte resiliência à pandemia, que também provocou novas necessidades de habitação aos portugueses. Tendo em consideração o perfil conservador dos portugueses em matéria de investimento e com o aumento dos níveis de poupança das famílias, o mercado residencial tornou-se a opção principal de investimento.

Quais os pontos positivos e negativos deste ano para o sector?

Actualmente, o mercado residencial está a registar níveis de procura bastante elevados. Esta dinâmica justifica-se pelas baixas taxas juros, pelo excesso de liquidez no mercado, pelo crescimento das novas operações de crédito habitação e pelo facto de 45% dos portugueses desejarem trocar de casa em consequência da pandemia Covid 19, como confirmam os resultados do nosso estudo ” Impacto da Covid-19 nos critérios da habitação em Portugal” “o impacto do covid19”. Estes factores em conjunto com os indicadores que estamos a registar no mercado imobiliário dão-nos segurança para estimar que esta tendência se mantenha em 2022.

Pela negativa, e que se irá manter em 2022, destaco a escassez de mão-de-obra, a falta e o preço das matérias primas para a construção, os ciclos de licenciamento e construção ainda muito longos, entre outros aspectos, não permitem a produção e entrega de novas habitações ajustadas às necessidades dos portugueses, ao ritmo necessário e desejado.

O que podia ter sido feito e não foi? 

Num momento em que é evidente que as famílias e jovens portugueses enfrentam enormes desafios de acessibilidade à habitação, já seria expectável que se pudesse contar com uma aposta concertada, pública e privada, na industrialização da construção.

Para além disso, a indústria da construção e os edifícios são os maiores emissores de carbono no espaço europeu e as metas de sustentabilidade ambiental para este sector são muito ambiciosas. Está na altura de adoptar metodologias construtivas com menor impacte ambiental, que permitam soluções de implementação mais rápida, consequentemente, com valores mais competitivos.

E para 2022? Perante uma nova vaga com uma nova variante do vírus, quais as principais preocupações e as possíveis consequências para o mercado imobiliário?

É expectável que 2022 venha a ser um ano bastante similar a 2021, e não esperamos que esta nova variante tenha impacto directo no mercado imobiliário residencial.

Há quatro factores que destaco para fundamentar a perspectiva de uma estabilização global dos preços dos imóveis, embora com subidas expectáveis em alguns mercados, bem como uma progressão positiva do número de transacções.

Em primeiro lugar, as alterações das preferências dos consumidores despertadas pela pandemia, bem como novas necessidades de habitação, que levam 45% das famílias portuguesas a assumirem a ambição de mudar de casa.

Por outro lado, continuará a registar-se escassez de oferta em alguns mercados e segmentos imobiliários, nomeadamente, nos segmentos médio e médio baixo.

Outro aspecto prende-se com a acumulação de poupança forçada dos portugueses, em consequência das restrições nos últimos 18 meses, que está a impulsionar a capacidade de muitas famílias iniciarem o processo de aquisição de habitação própria ou de mudança de casa.

E, por fim, a expectativa de continuidade de uma política económica expansiva que proporciona taxas de juro baixas, a continuação dos níveis de fluxo de crédito para a compra de casa, e uma maior atractividade do investimento no sector imobiliário, versus outras alternativas de investimento.

 

Fonte: Diário Imobiliário