2 de agosto, 2021 Lucas Lopes

Primeiro semestre revela a resiliência do mercado imobiliário

Do total de 530 milhões investidos durante a primeira metade do ano, 40% foi canalizado para ativos de escritórios, 31% para imóveis residenciais de arrendamento e 14% para retalho.

De janeiro a junho de 2021 foram investidos em Portugal 530 milhões de euros em imobiliário de rendimento, segundo a consultora CBRE. Ainda que o segundo trimestre tenha registado um volume de investimento de 330 milhões de euros, que se traduz num crescimento de 65% face ao trimestre anterior, verifi cou-se uma quebra relativamente ao semestre homólogo de 2020.

Do total investido durante a primeira metade do ano, 40% foi canalizado para ativos de escritórios (210 milhões de euros), 31% para imóveis residenciais de arrendamento (165 milhões de euros) e 14% para retalho (75 milhões de euros).

A CBRE projeta uma segunda metade do ano bastante mais dinâmica, em função dos negócios em curso, cujos mais relevantes em termos de valor envolvem as classes de ativos associadas a camas – tais como hotéis, habitação e até mesmo algumas unidades de saúde, existindo ainda diversos edifícios de escritórios em negociação.

A consultora prevê um volume de investimento adicional que poderá atingir os 2.200 milhões de euros, o qual inclui uma transação que per si representa cerca de mil milhões de euros. No entanto, devido à sua dimensão e complexidade, esta poderá derrapar para 2022, impactando fortemente os resultados de 2021.

Desta forma, a previsão da CBRE aponta para um intervalo de volume total de investimento em 2021 entre 1.700 e 2.700 milhões de euros.

Um tridente de luxo
José Araújo, diretor da Direção de Crédito Especializado e Imobiliário do Millennium bcp confi rmou esta tendência mais tímida no arranque do ano, face ao confi namento total. “No entanto, o nosso modelo de há 10 anos a esta parte, baseado num forte tridente entre equipa interna, mediação e sucursais mostrou-se mais uma vez resiliente e forte, provando ser a solução certa e levando-nos a fechar o mês de março já acima do ano de 2020”

Já o segundo trimestre, segundo este responsável, foi em crescendo, com um maio excecional, com a maior venda feita até agora e “um primeiro semestre cheio de luta, difi cílimo, muito desgaste por várias razões, mas felizmente com um fecho em valores acima dos nossos vários objetivos, quer internos, quer para com as entidades reguladoras”.

Aliás, José Araújo manifesta que esta tónica tem sido uma constante, fruto da ajuda das várias áreas do Banco que ‘nos cercam antes, depois e ao lado’, sempre com os ajustes necessários à evolução do mercado e da economia e ao tipo de carteira que vão tendo, “e que ao longo desta década, felizmente cada vez mais pequena por menos entradas e muito mais retornos de imóveis ao mercado, como a nossa missão obriga” conclui.

Evolução no digital ajudou
Face ao primeiro semestre de 2020, o executivo refere que a lição foi aprendida, pelo Banco, pela Equipa e Mediadores parceiros, que nunca pararam, e que a aposta no digital foi uma realidade. “A evolução no digital tem ajudado muito a essa adaptação/evolução e com as devidas condições de segurança e normas impostas – o Banco sempre nos protegeu e tem dado as melhores condições para o binómio segurança e sucesso com testes contantes, máscaras, entre outros procedimentos –, sempre houve a presença em mercado e a proatividade comercial necessárias para os resultados já obtidos ‘a meio da batalha’ de 2021”.

Já durante 2020, esta entidade fi nanceira sentiu, apesar do mercado ter estado muito ativo, investidores, compradores e ofertantes mais ponderados, exigentes e mais profundos nas suas análises e escolhas, o que por vezes toma mais tempo para a decisão final. “Claro que há os que, sob o chapéu da pandemia, querem desvalorizar os imóveis e comprar abaixo do seu valor, mas estes ditos fundos oportunistas não têm tido recetividade junto do Banco. Negociamos como é tradição no setor, mas quando colocamos imóveis em venda não somos especulativos, vendemos a preço de mercado, pese empacotarmos numa oferta global podendo haver crédito caso o projeto e risco o justifique”. Aí, enfatiza José Araújo, entra a equipa especializada na avaliação de promoção imobiliária bem como as sucursais que muito bem conhecem os clientes.

Quanto aos segmentos do imobiliário que tiveram mais aceitação quando colocados no mercado, o diretor no Millennium bcp nomeou terrenos nos arredores das grandes cidades para construção de habitação, para portugueses, tanto para venda, como para o promotor alugar, armazéns e lotes para autoconstrução e moradias já implantadas com algum espaço exterior. “Mas ainda há boas oportunidades nestes segmentos para aproveitar por estrangeiros e nacionais, embora a carteira estar a diminuir a bom ritmo. Algarve, Amadora, Montijo, Setúbal, Alcobaça, zona industrial do Porto e vivendas no Minho e Trás-os-Montes são bons exemplos disso”. Reforça José Araújo que “Toda a nossa carteira em venda é comunicada, sempre atualizada, através do nosso site, área do Imobiliário onde se têm apresentado constantes campanhas, Casas Abertas e processos estruturados entre outras. Através da nossa parceria com o Público Imobiliário temos também divulgado alguns desses imóveis e feito ofertas em processos estruturados. A nossa carteira em venda é esmagadoramente Não Residencial e foi sempre esse o destaque que fomos dando com exceção de algumas vivendas e apartamentos de alto valor que nos vão aparecendo de tempos em tempos.”

Vender soluções,não imóveis
O rigor na comunicação com os clientes sempre foi preponderante no negócio do imobiliário, elemento que foi empolado por todo o contexto de pandemia. Segundo José Araújo, a situação atual obriga a ser mais profissionais, a fazer mais contas, conhecer mais a realidade do segmento e da região e ter sempre uma máquina calculadora ao lado para poder saber o valor do negocio que podem estar a oferecer a quem mostra interesse pelos ativos do Banco e que necessidade lhe vai ajudar a resolver. “Costumo dizer à minha equipa e parceiros que não vendemos imóveis, mas sim soluções que possam ir ao encontro de uma necessidade especifi ca do cliente, seja ela de diminuição de custos, aumento de espaço, deslocalização, investimento e retoma ao mercado para revenda, investimento para arrendamento, enfim tantas outras soluções adequadas às necessidades que alguém pode ter neste setor”

Para isso, a máquina de calcular e a aprendizagem em várias áreas são cada vez mais necessárias face à carteira, à pandemia, ao estado da economia nacional, da europa e do mundo, aos investimentos alternativos, zonas e segmentos, entre outros, refere o diretor. “A formação e a autoformação, a leitura e a vivência em mercado superespecializado com parcerias com os mediadores, são e sempre foram decisivos, tal como a relação da nossa área do negócio imobiliário e das redes comercias do Banco com os clientes, sempre acompanhados e acarinhados em todas as fases em que precisam, tal como a fiscal ou a creditícia, entre outras. Nunca foi só uma relação superficial de ‘quer comprar, quanto oferece? ok vendemos, não vendemos’”.

Quanto à comunicação publicitária, a área responsável do Banco tem tido um papel decisivo e de ajuda, e nada foi alterado, segundo José Araújo. “Todos os imóveis da nossa carteira são relevantes, não só para o Banco, como para todo o mercado. Neste contexto, é nosso objetivo comunicar todos os imóveis que, como já referido, são visíveis no nosso site do imobiliário.”

Para José Araújo, uma coisa é certa: a pandemia acabará um dia e o imobiliário continuará, “pelo que devemos sempre separar as águas e comunicar aquilo que é duradoiro e não temporário”.

Um segundo semestre duro
“Duro, duríssimo”. Foi assim que José Araújo adjetivou o segundo semestre do corrente ano. Isto para além de mais curto que o primeiro face aos meses de verão, sempre mais difíceis devido às férias dos compradores, o que deixa na prática apenas quatro meses para o fim do ano. “Mas face ao pipeline em análise e negociação, o ano irá acabar bem do nosso ponto de vista e dentro daquilo que é a nossa obrigação para com Banco, autoridades e com o próprio mercado, já que o negócio bancário não é vender imóveis, mas sim devolvê-los ao mercado o mais depressa possível e a um valor justo. Quanto mais houver na mão dos privados, mais o setor se equilibra e dinamiza nos seus principais atores”.

José Araújo releva ainda o papel que o Millennium bcp tem tido no desenvolvimento e apoio a todos os seus intervenientes, desde mediação, promotores, empresas, particulares, imprensa especializada, fundos de investimento, advogados e consultores envolvidos, entre outros. Todos benefi ciam com a forma como o Banco se relaciona dentro do setor em parcerias duradoiras e onde o objetivo fi nal é devolver ao mercado o que é do mercado.

O diretor não tem qualquer dúvida em afirmar que a Banca cá estará para apoiar os particulares e empresas na sua aquisição e financiar a habitação e o desenvolvimento de bons projetos importantes para a sociedade e regiões.

 

Fonte: Público