22 de fevereiro, 2019 rcruz

Portugal continua na mira dos investidores franceses

‘Coletes amarelos’ e benefícios fiscais vão continuar a alimentar o interesse em Portugal, diz o CEO da Century 21 em França

Não é só uma moda haver tantos franceses a procurar Portugal — e segundo os responsáveis da Century 21 esta tendência promete acelerar. Em 2018, os estrangeiros representaram 18% (num total de 2281 casas vendidas) das transações feitas no país com a rede imobiliária, destacando-se os franceses como primeiros compradores, aqui com um peso de 34%.

“O volume de franceses a comprar casa em Portugal vai prosseguir a um ritmo ainda maior em 2019”, antecipa Charles Marinakis, CEO da Century 21 França. “Esta é uma tendência para os próximos anos, incontestavelmente pela situação fiscal que é muito vantajosa para os reformados franceses, que mudam o domicílio para Portugal e ficam isentos de impostos durante dez anos com o programa de residente não-habitual”.

Segundo o responsável da rede imobiliária em França, também a instabilidade interna refletida no movimento dos ‘coletes amarelos’ irá gerar uma maior procura de Portugal por parte dos franceses. “Com o que se está a passar em França com os ‘coletes amarelos’ e a nova incerteza fiscal que reina, pois vai haver uma redistribuição da fiscalidade associada às reformas, vai agravar-se a expatriação de franceses, e sobretudo para Portugal, que tem uma reputação crescente em França em termos imobiliários”.

Os reformados são o perfil dominante de franceses a comprar casa em Portugal. “Os benefícios fiscais permitiram aos franceses descobrir Portugal como um país agradável, com gente simpática, a duas horas e meia de avião e onde o custo de vida é 30% mais barato, é um agregado disto tudo que os está a atraír”, refere Charles Marinakis.

NOVA GERAÇÃO DE PORTUGUESES EM FRANÇA A VOLTAR

Além dos reformados franceses, “há uma terceira geração de portugueses que vive em França e que está a voltar a Portugal para trabalhar, investidores jovens que vêm com a perspetiva de criar empresas em Lisboa ou no Porto, porque o país criou facilidades a nível de impostos também neste campo”, refere Bahi Khoury, diretor executivo da Century 21 França. “Portugal descobriu aqui uma dinâmica económica no sentido de hoje poder acolher essa geração, e é uma tendência que vai continuar”.

Menos expressivo, segundo os responsáveis da rede imobiliária, é ainda o volume de famílias francesas jovens a comprar casa em Portugal na perspetiva de vir morar. “É preciso que Lisboa seja capaz de funcionar como base de grandes indústrias internacionais e propor empregos de alto nível, conseguindo assim oferecer postos de trabalho suficientemente atrativos em termos económicos para trazer quadros franceses ou europeus que decidam aqui se instalar”, enfatiza Charles Marinakis.

É sobretudo no Algarve que se nota uma procura crescente dos franceses para compra de casa. “Está à beira-mar e tem um clima bom, o que atrai muito os reformados que vêm a Portugal. O Algarve tem também bonitas casas e com preços que se mantiveram atrativos comparativamente com a costa francesa, a Côte d’Azur”, refere Bahi Khoury.

Mas a rede imobiliária constata que o comprador francês têm um perfil diversificado e na procura de casas também se está a destacar no centro histórico de Lisboa, em áreas limítrofes como Setúbal ou até em zonas no interior de Portugal, em particular junto às aldeias do xisto. “A valorização de Lisboa está alta, mas os preços ainda são mais baixos comparando com Paris. E, francamente, para quem é reformado, é preferível vir para o sol de Lisboa do que ficar em França e pagar €10 mil por metro quadrado”, notam os responsáveis da imobiliária.

Outra vantagem, segundo Bahi Khoury, é a rapidez com que se processa a compra de casa no país. “Em Portugal faz-se uma transação em quatro semanas, em média. Em França demora três a quatro meses. É mais um fator atrativo que facilita muito a vida às pessoas que vêm investir e comprar casa em Portugal”, faz notar.

Lembrando que os reformados não precisam de emprego, e que o movimento dos franceses a comprar casas fora se iniciou nos países do Magrebe, como Tunísia ou Marrocos, Charles Marinakis salienta que “a Grécia também é um destino investimento emergente, mas Portugal é, sem dúvida, o país da Europa que está a tirar melhor partido deste novo tipo de emigração”.